domingo, 20 de janeiro de 2013
Hora paradoxal no táxi de volta pra casa
Angústias febris de uma hora paradoxal - completamente paradoxal e confusa. 1) Certezas e incertezas tão duvidosas! Tudo é duvidoso: o futuro graciosamente prega surpresas constantes; ainda que se saiba explicitamente o que se sente hoje.. já se transforma amanhã. Ou não. 2) Inveja da simplicidade dos bilhões de falantes e vontade de falar junto, mas desprezo aos termos sempre comuns, rotineiros, aqueles que todos conhecem por monótonos. Algo parecido com um ego por se sentir diferente perante o clichê, mas a certeza da própria efemeridade diante do universo. 3) Não compreender nada, saber que tudo não passa de uma metamorfose tão complexa e tão normal ao mesmo tempo! 4) Sentir vontade de não sentir vontades. Sentir vontade de ser uma estrela, ou uma árvore, ou uma cascata. E estar ali, tão abundante e natural. Distante de perguntas. Da necessidade de funções prestativas, do intelecto pensante. Vontade de não questionar tanto e, por um instante ou mais, existir da forma mais pura, mais principal e bruta.
quarta-feira, 9 de janeiro de 2013
Longe
http://www.youtube.com/watch?v=018aDXtUSM4
As paredes tinham tinta avermelhada e quadros velhos. Eles mostravam tempos gostosos de um passado jovem e avivado. Mostravam sorrisos largos, bares cheios de amigos, beijos pelas praias afora. Quadros. Espalhavam-se pela sala, pelo quarto, sala de jantar, corredores. Do chão repleto de almofadas fofas e revistas abertas, levantou Valentina. A medida que a moça percorria seu pequenino apartamento, a noite crescia; sem estrelas, logo viria chuva.
Fitava cada foto com uma sensação esquisita no peito. Onde foi parar todo aquele colorido? Parecia que não estivera alguma vez fazendo parte dele. Sentiu saudade. Solidão. Angústia. Fechou-se pra sua singularidade. Tornou-se a foto preta e branca - única e distante.
As paredes tinham tinta avermelhada e quadros velhos. Eles mostravam tempos gostosos de um passado jovem e avivado. Mostravam sorrisos largos, bares cheios de amigos, beijos pelas praias afora. Quadros. Espalhavam-se pela sala, pelo quarto, sala de jantar, corredores. Do chão repleto de almofadas fofas e revistas abertas, levantou Valentina. A medida que a moça percorria seu pequenino apartamento, a noite crescia; sem estrelas, logo viria chuva.
Fitava cada foto com uma sensação esquisita no peito. Onde foi parar todo aquele colorido? Parecia que não estivera alguma vez fazendo parte dele. Sentiu saudade. Solidão. Angústia. Fechou-se pra sua singularidade. Tornou-se a foto preta e branca - única e distante.
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