Vivia entre as árvores altas. Sua cabana era feita de panos translúcidos, com diversas estampas. Os lençóis que formavam as paredes laterais eram de um floral velho e miúdo, enquanto que os do teto misturavam-se em xadrezes largos e outros menores. Porém, nenhum impedia que Vivian contemplasse o bordado das estrelas, nem as folhas secas pousando no chão fluidamente, nem a entrada dos feixes de raios entre os galhos, pela manhã.
Naquele fim de tarde, como de costume, a menina pôs-se a dançar sobre o chão repleto de folhas coloridas, vindas da magnífica natureza que a cercava. A música era feita do som das goteiras, dos pássaros e de seus passos suaves. Bailarinava, bailarinava... E quando o céu cobriu-se de um escuríssimo azul, retornou ao seu abrigo. Sua pequena, sozinha casa.
Eram semanas de solidão exacerbada. Uma tristeza tomou-lhe de repente.
Vivian guardou suas lágrimas noturnas em uma cumbuca pequena, feita de barro. No outro dia, com elas, regou uma muda.
Da tristeza da moça, brotou uma flor.
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